quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Réplica



















O que se passa?!
Quando ele se
curva, para limpar a
mesa, raspa a calça
na chave

da gaveta,
na altura
da coxa.




Ela voa.
Ele se
curva
um
p
o

u

c

o

m
a
i
s

e

p
e
g
a

a

c
h
a
v
e

n
o

c
h
ã
o
.



O curioso,
muito curioso,
é que a chave
permanece na
fechadura.



A que voou
foi uma réplica,
que se configurou
no próprio ato dele
se curvar, e durante
o rasgo.



Como explicar?
Para quem?
O que se passa?!
Ele não tem onde
colocar esta que é
uma outra chave
e é a mesma mes
-míssima chave.
A fechadura já
está ocupada.
Resta carregá
-la. A chave.
Na mão.



O tic-tac
do relógio
passa a in
-comodar,
só então.
Tic-tac. Tic
-tac-tic-tac.



Não há onde colocar,
enfim, esta mesma
chave, senão seguir
com o tic-tac na cabeça.
Fechar o escritório.
Não há como trabalhar
com tantos elementos
estranhos. Ou há?!
Nem como disfarçar
o rasgo na roupa. Ou
há?! O que se passa?!
Lobos passam a uivar
em sua cabeça, pois ele
viu viveu viu viveu viu
muito e demais e muito.
Ninguém viu viveu tanto
somente por agachar um
tanto. Ninguém no mundo
foi pego de surpresa e sus
-to só para limpar o tampo
de uma mesa. Isso é injusto.



Não há como explicar a réplica,
nem como disfarçar o rasgo na roupa.
Terá de se aposentar por justa causa.
Não pode pegar o trem com o rasgo.
Dinheiro para o táxi, ele não tem.
Terá de seguir cento e oito quarteirões,
com lobos uivando enquanto ensaia seus passos
mancos, segurando as contas de um rosário numa
mão desocupada, porque na outra tem de segurar
a chave que ninguém conhece entende ninguém po
-de explicar ou crer. Por isso tem de bater com a cha
-ve em todos os postes para saber que ela é a mesma
que fora ali no vôo ao chão do escritório. A mesma, en
-tão. E reflete enquanto bate a dita maldita cuja que nin
-guém ousa explicar nem ver nem apalpar enquanto pen
-sa sobre o porque de ter usado calça de tecido fino aquele
dia, e não jeans. O tic-tac do relógio do escritório trancado
segue a seguir com ele, o recém-aposentado por invalidez.



As questões candentes cruciais excruciantes passam todas
a ficar claras, transparentes. Isso é claro agora com o tic-tac.
Só agora é claro o quanto é difícil responder a cada coisa em
seu lugar. Cento e oito quarteirões e as pessoas que esperam
os ônibus em seus pontos fixos as prostitutas fazendo ponto
nas ruas, as crianças e mães em seus maus caminhos e bons
caminhos, todos se inquietam com o seu passeio porque faz ba
-rulho. Parece-lhe que lhes parece que ele quer agredir alguém.



O que se passa?! O que ocore é que ele se incomoda mais por segurar uma
chave-fantasma. E num ato súbito e impertinente, incontido, tira a camisa que
está vestindo e rasga-a, ficando com o dorso nu a dor nua o dorso a dor o tronco
nu exposto, exibindo uma tatuagem de cavalo-marinho sobre uma carruagem.



Ele é um louco um lobo que atravessa o burburinho para espanto dos outros tão
lúcidos tão certinhos. Poderá chegar ao fim do caminho sem ser atacado por lobo ou por bêbados? O que se passa?! Como pode alguém reunir os amigos do trabalho depois de perder o emprego?! Como pode reunir os que atravessaram o Atlântico, os que se mudaram para outros países estados outros mundos mais sólidos em busca de melhoras ou aumento de salário?! Será que sua ex-namorada que foi ser puta na Espanha ficou presa na alfândega ou foi morta?! Como rever as mulheres dos prostíbulos já fechados e pedir bênção às freiras presas nos pedágios das rodovias, sem dinheiro?!Como voltar a ouvir sábias e cotovias que sumiram por entre as palmeiras?!Como voltar a declamar Castro Alves ou Gonçalves Dias?! Como arranjar novas maneiras de reencontrar sonhos com prazo vencido?!




Como alimentar o vício por remédios já não fabricados tarjados, proibidos, sem
viajar?! Como fabricar engenhos novos e achar novos gênios numa geração de
homens médios?! Como destilar água filtrada e pinga-da-boa do mesmo copo de
garapa?! Terá esquecido as luminárias acesas no escritório que irá fechar?! Os
padres entenderão a razão de seu desespero?! O que se passa é que ainda são
setenta e sete quarteirões para seguir em frente e contas de rezas nas mãos, e
postes para bater pra conferir a chave e o som e a verdade que ninguém vê que
ninguém viu nem verá porque não quer não pode não ousa conferir. O que se
passa é que muito se aprende por andar a pé e depressa, e que é melhor chegar

logo em casa e dormir, antes de sucumbir à ameaça que ronda fora e uiva já

dentro, os lobos famintos, os homens incrédulos, aqueles sem visão coragem

capacidade de dar a mão e segurar uma simples chave-fantasma.











Marcelo Novaes

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Maneco







Para Manoel Paes Neto, Investigador de Polícia em São Paulo e Artista Plástico. Muitos dos seus quadros são inspirados em conversas com moradores de rua e outros deserdados.




Lindo tomar o café da manhã servido por mulher cortês e fina: as mãos pintadas com hena. Mesmo atirando bem [podendo acertar nos olhos], melhor atirar na perna. Matar alguém?! Desnecessário. Atlas carregando o mundo nas costas, pela culpa. Filho de Ogum e Exu [filho bom] a isso não se presta. A tal vergonha. [Mau filho se presta a qualquer coisa]. Na vida tudo passa, e o céu formiga. Que fique então, registrado, em tinta e tela [em borrão e pasta] os que estão à margem da estrada. Com intenção a mais singela.



Voar como Ícaro.



Chorar como
homem.













Marcelo Novaes

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Portas e Janelas
















Inserido-e-proscrito
no mesmo
grupo.


Olhar agudo.


Feridas são
janelas.


Ouvidos [moucos]
são portas de
madeira.


[-de-lei?].










Marcelo Novaes

domingo, 8 de novembro de 2009

Não há lugar no espaço para o espaço

















Os quadros que se ergueram e se desbotaram
das chamas da lareira, eram quadros pênseis
que chegaram como chegam as névoas da noite.
Não há porque chorar. Não há porque sorrir. Não
há porque se desbotar. As teias tecidas ainda perduram
na memória. A memória sustenta mil história, mil quadros
suspensos em seu tear. E o amor que nos sustenta também é
halo, também é hálito. Também é vento. Muitas coisas não
palpáveis é que nos sustentam. E as cores que se partiram
no por do sol eram frágeis. Voaram. Levaram consigo
pedaços do céu. Os ouvidos perderam as falas dos
últimos noticiários. Guardaram os sons dos passos
da primeira namorada. Os olhos não se lembram
mais dos giros das tardes, mas dos passos do
baile de debutante. Assim são as coisas.
Seletivas. Cada vez mais exíguas.
Passos passados. As coisas se
espaçam, deixam lugar no
espaço. Até que o próprio
espaço possa nele se
abrigar. Não há
porque sorrir.
Não há
porque
chorar.
Não há
Espaço.











Marcelo Novaes

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Poema no balcão da cafeteria

Para Fernando Pessoa















Abra um guarda-chuva e um pedaço de papel.
Improvise um poema sobre o balcão, enquanto
espera o seu café. Forte. Espesso. Quente. Soprá-lo
será deselegante. Escreva mais um verso, enquanto
espera que esfrie o tanto que te agrade o gosto. E
não te queime os lábios.


Feche o guarda-chuva. Afinal, você não está mais lá
fora. Não obedeça a tudo que lhe peçam ou lhe ditem.
Medite nisto. As gotas escorrem, do guarda-chuva,
enquanto o café esfria. A balconista te oferecerá um
vaso, onde ele esperará por água nova e renovada.
Quando estiver pronto o teu poema. E tua inércia,
superada. Não peça nada alcoólico.


Os lábios são finos. E parecem quase não poder
dizer nada. Então, escreva. Mesmo que sobre este
papel barato. Com o cuidado que não o molhe, com
os respingos que te ficaram nas mãos, da chuva lá
de fora. Com o cuidado que não o manche, com
alguma gota quente que, do lábio, escorra. Ou
que salte e te escape da boca, em algum gole
mais forte. Exalte-se. Mas não morra.


A chuva já cessa. A balconista é uma graça,
não é mesmo?!










Marcelo Novaes

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Febre Amazônica

















Não há metades. Não há heranças.
Não há pajem a tomar conta de nenhuma
criança. Não há pedra. Não há laje. Não
há ladeira nem redemoinho que sobrepuje
a febre, ou a escoe pés abaixo, terra adentro.
Não há chuva. Não há vento.


Ninguém nos deixou terra. A pouca que havia
está se escoando, ficando rala, virando pasto
e rodovia. Não há sinal de redenção no
horizonte, nem nos astros. Os arbustos
se contam a palmos e os grãos, que
eram tantos, cabem todos na palma
do único plantador solitário.











Marcelo Novaes

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Valsa Branca













Alguma coisa ajeitará essas
costas [e não serão cinco gramas
de pó]. Alguma coisa que te trará
de volta ao início do plano [ser
amado, ser amada, se não me
engano].


Alguma coisa te trará o andar
menos desajeitado, falseado,
cindido [ao modo cinzento do
choro mal acobertado pelo riso].


Queria te afagar o sobrenome...











Marcelo Novaes

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Tépido



















O banho é frio ou morno. Queimar
não pode nem a palma [da mão] - leve,
suave, fina como deve ser a alma: papel
celofane.


Corrente do pescoço não se tira assim
[lúcida, banhada a ouro], nem pra evitar
água. Não enferruja. Pulseiras negras [de
turmalina] não se deixam à espera, no
quarto, à borda da pia ou da piscina.
Mas sustentam beleza de princesa,
sob água acesa.


[Tépida].


A luz é apagada. O banho é frio ou morno,
com água temperada [nunca queimando, nem
gelada]. Não água que traga rubor ao rosto,
ou suor caindo, depois do corpo enxuto.


Demasiado yang esse corpo. Excesso de
hormônio [rede fina, fina rede-teia de apanhar
tantos pecados, pescados rente à areia] e sede de
abrandar o tanto d’água que o corpo perde a cada
coito, por demasiada sede de perder-se.
Esquecer-se a cada vez.


A água é morna ou
fria. Quente, nunca.












Marcelo Novaes

domingo, 1 de novembro de 2009

Dark Colombina

















Quem haveria de por ali passar,
no bairro ermo, sem destino
certo,


sem conhecer
as mudanças
de trânsito,


os fluxos de carro,
os novos itinerários
dos ônibus.


[?!]


É como se eu tivesse
ali chegado sem nem
bem saber
como.


Era o fim das certezas,
e o início da valsa lenta,
da canção magenta, escura,
sanguinolenta.



Parei num bar escuro pra tomar uma cerveja preta. Era dia de finados, justamente o dia do aniversário dela, a antiga namorada que se julgava eterna. Eterna nada. Efêmera e pueril mais-que-poeira. Eu sento e me deparo com ela, soltando fogo pelas ventas e vento pelas fendas, toda quente e sem-surpresa, como se estivesse à minha espera... Não, não..., devo dizer melhor, porque é pior, era como se achasse que eu a esperava como sempre achara. Menos sua vergonha, que essa não se acha. Eu me sento e não me desespero. Ela não perdeu sua antiga fome, pede uma porção de frango à passarinho, duas pizzas médias e um leitãozinho, e conta com que eu pague tudo no final das contas. Afinal, ela é minha convidada (!), e eu seu eterno namorado-em-fase-terminal. Ela imagina que eu deveria estar morto... "Afinal, amores nunca acabam", me diz ela, com retalhos de roupas minhas que leva nos bolsos aos bares, aos becos escuros aos cemitérios quase tão ermos quanto aquele bairro, para fazer seus trabalhos escusos em noites altas na hora grande com as intenções mais baixas. De cócoras, a danada, acendendo velas pretas, parindo galinhas pretas & coisa & tal. Demoniazinha azarada, dark colombina, topar de frente com um cara como eu: mato no peito , driblo pra direita e marco um gol logo à frente. Assim eu lido com o Mal.



Do lado da mesa há uma escada em caracol, pela qual sobem e descem clientes e algumas moças interessantes. Meu pouco dinheiro, prefiro gastar com uma delas, não com a colombina dark, não com essa vampira que estivera à minha espera à espreita no vão das trevas. Pau nela. Calote na macumbeira. Chamo o gerente discreta discreta discretamente, e lhe digo que a conta é por conta da dona da festa, a aniversariante & anfitriã funesta, e que ele será seu principal convidado e seu parceiro-de-fim-de-noite-em-seu-fogo-danado. Que ela mesma me pediu para lhe dar o recado, encarecidamente. Deixou-me até uns trocados. Que ele coma o frango o leitão e coma-a à vontade, que eu irei descer a escada em caracol tão elegante para fazer um programa com uma ruiva linda e alta, cheia de sardas, onde não alcança o sol nem morre a fonte. Peço a ele que entretenha a dita namorada, a cuja-que-ainda-se-acha-de-ser-minha, com o beijo mais demorado desconcertante desconsertado de que seja capaz e autor verdadeiro, que seja pessoal, que convença e não pegue mal, que se atraque com um ataque-de-boca à mesquinha-e-funesta, enquanto faço que vou ao banheiro senão quase mijo nas calças e na cadeira. Dá certo. Ele dá o sinal, e a ruiva já me espera no quarto, com seus pequenos e grandes lábios. Isso sim que é gente, não aquele espantalho a empunhar retalhos meus de antigos agasalhos, quais armas medievais, em terreiros fuleiros e cemitérios precários.



Tudo está muito bom..., afinal gritinhos fazem parte do show, mas não os gritos da colecionadora de tecidos que esbraveja por minha fuga, depois de se livrar do beijo-carangueijo do gerente tão maneiro e boa gente, ela que grita que se recusa a pagar a conta e me acusa de querer levá-la à bancarrota, a escusa escrota. Diz ela, e é alto porque a ruiva dá um salto duplo mortal de quatro, que fará uma revista nos quartos, que conhece quão imprestável eu sou e era e já-não-devia-mais-de-ser. Diz que pelos trabalhos feitos e pelo mal-feito já era pra eu estar impotente ou morto, e que era simplesmente impensável imponderável esse paradoxo execrável: que eu estivesse vivo e bem disposto, comendo em outro prato, no dia de finados, seu aniversário. Que ela iria fazer um trabalho contra quem o fizera mal contra mim [e quão mal o fizera...]. Eram muitos paradoxos para seus cabelos louros mal-tingidos e seus poucos neurônios mal-pensados, muitos paradoxos cruzados e muito dinheiro jogado no esgoto investido no meu definhamento-que-deveria-ter-sido-lindo-e-lento. Eu ouço o salmo que recita a maldita e quase ouso abandonar a ruiva [mas isso não posso!], subir e soprar no seu malfadado rosto que estou muito bem obrigado, e no ouvido do gerente que quem deveria agonizar lentamente era ela, a gentil e mal-beijante aniversariante. Mas me contento em rir e gozar ao ouvir tocar a música que lhe pedi, como homenagem à colombina dark, enquanto a ruiva clama para que eu não saia mais dali. Pode deixar, que de ti não saio, enquanto o sol não sair. "O meu amor partiu/ Cansou dos meus vícios/ E mesmo que amanhã ele volte/ Com outro feitiço/ Hoje, o meu amor partiu/ E nada vai/ Nada vai mudar isso" (Paulinho Moska)



Quem haveria de por ali passar,
no bairro ermo, sem destino
certo,


sem conhecer
as mudanças
de trânsito,


os fluxos de carro,
os novos itinerários
dos ônibus.


É como se eu tivesse
ali chegado sem nem
bem saber
como.


Era o fim das certezas,
e o início da valsa lenta,
da canção magenta, escura,
sanguinolenta...










Marcelo Novaes

Olhar de mosca morta















Ele sacode a cabeça
pra não se deixar tomar
pela sensação estranha
de se tornar insensato.


Um assobio se ouve,
mas parece vir de dentro.
Tenta ele se apoiar [como
foco, como lente de aumento],
no fato de que ela lhe sorriu,
e não teve medo de seu
movimento. Abrupto.
Inepto. Febril.


[A metamorfose é ato
arrogante, que se faz
por brio, lapso ou
leviandade].


Ele sacode a cabeça e,
por enquanto, tudo é o
mesmo. Ele olha pra tudo
e cada coisa é múltipla, é
cêntupla à sua volta.


[Olhar de mosca morta].










Marcelo Novaes

Cavalo de Tróia















Uma janela abre outra
janela que abre outra
janela.


Uma amizade puxa outra
amizade que puxa uma
inimizade, que a todas
destrói.


A vida do Buda revela
o que a sua não foi.


Pesquise no Google.


Dá até dor no pescoço,
nos olhos, na nuca.


No Orkut, um beijo se
abre para outro beijo
que se abre para o
desespero.


Essas paixões evaporam.


Esses dedos que teclam rápido
já perderam o jeito de folhear os
livros que sempre importaram:
os clássicos e os filósofos.


Não imagine que te basta
a Bíblia debaixo do braço.


Uma janela abre outra janela que
abre para o tudo
branco.


Clique rápido no anti-vírus
depois de tentar finalizar o
programa sem sucesso, e
aparecerá a cabeça de um
búfalo com a legenda:
suicídio.


E no lugar do azul que fecha
o programa do Windows, o
esgar de um anjo irônico
sobre o negro mais
denso.











Marcelo Novaes

sábado, 31 de outubro de 2009

O gato anterior ao quarto















Ele passou como um raio. Rajada do
inesperado. Patas sobre o meu rosto,
deitado, dormindo. Ele me acordou
de um sonho lindo, e nem bem sei o
seu motivo ou gosto.


Felino listrado. Ríspido. Arisco. Dura
dor tê-lo mal-visto, sem entrar pela porta
do quarto. Fechada. À chave. Não sei quem o
pôs ali dentro, um pouco antes de, evaporado,
evaporar-se.


Saí do meu quarto, atônito e atento.
Procurando a quem culpar. Nada feito.
Na volta ao meu quarto, ainda suando,
encontro, sobre a cama, mercúrio cromo
e esparadrapo.










Marcelo Novaes