sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Na Companhia dos Lobos














Ele anda de um lado para o outro, solitário,
ou na companhia de outros lobos. Na maioria
das vezes que o abordam, é para pedir dinheiro
emprestado. A própria flor quebrou um vaso em
sua cabeça. Pois o considera um alienado. Não
um homem. Mas um poeta.


E poetas servem para ser adubados, soterrados
em dilemas práticos, em críticas ao seu vernáculo,
e na solidão que lhes trazem as próprias críticas
que eles mesmos se fazem. Poetas, mais do que
maus poetas, são maus. Intrinsecamente maus.
E vêm ao mundo para terem vasos quebrados
na cabeça, por flores róseas violetas margaridas,
flores-do-bem, intrinsecamente flores.


Este veio ao mundo para andar solitário. No
máximo, pra distribuir, aos outros, um fogo,
um isqueiro, um cigarro, um olhar de abandono,
e uns poucos centavos que ainda tem no bolso,
quando lhe pedem dinheiro. Ele veio ao mundo
para andar a esmo, não para fazer negócios.












Marcelo Novaes