domingo, 6 de novembro de 2011

Bandolins














Não abusem.


Eu olho pra esses tantos
relógios desencontrados,
pendurados do vácuo [ao
lado de bandolins e cavacos]
e jogo no chão a bituca do
cigarro. Eu preciso deste
último trago ou ele do
meu atraso?


Não abusem.


Eu penso nos agiotas aos
quais devo pelos meus vícios
[: insistências em arranhar os
mesmos discos], mas também
penso assim, em definitivo:
ainda que deles tenha me
valido, sou eu a depender
deles ou, agora, o inverso?


Não abusem.


Dedilhando as cordas suspensas
no vácuo [bandolim e cavaco], eu
cogito o mesmo em relação aos
bancos [que, nos últimos meses,
têm falido], e solto este resto de
fio atado a todo resto [por mim,
agora, revisto e abominado] por
entre os dedos.


E cuspo.












Marcelo Novaes