quarta-feira, 2 de novembro de 2011

São Petersburgo














Por andar a pé, foi mais
fácil perceber as portas que
se fecharam, as ruas que
deixaram de existir.


Os rostos desaparecidos.


Foi mais fácil ouvir a buzina
do táxi de São Petersburgo.


Alguém me chamava [e era
só de passagem], mas eu
estava sem óculos.


Nunca saberei quem era.


Por andar a pé, guardei aromas
de árvores e folhas que já se foram.
Senti o sopro do cata-vento no centro
do rosto. Desfiz caminhos em becos que
deixaram lugar a edifícios.


Se eu partir hoje [e se, hoje,
eu partir], não saberei quem era
aquela [ouvi sua voz, sem vê-la]
que dirigia o táxi, tão depressa.


Mas estará tudo bem.












Marcelo Novaes