sábado, 24 de setembro de 2011

Ruído Branco















Ela, incapaz de lidar com as
Imagens que eu apresentava,
mal conseguia ouvir minha voz.


Ficava distante, como se eu não
existisse. Tal fora [eu] moldura-pra
-coisa-nenhuma, ou outra-qualquer
-jamais-tocada. Sussurro de fístula que
não se escuta.


Ruído Branco, rumor da Lapa. Porto
Vazio e sem carga.


Pensou em Melancolia: em Holbein e
no Cristo Morto. No peso atômico do
Chumbo. Na Primeira Arquitetura
Ocidental do Desarranjo.


Não pode ouvir minha voz, então
fugiu. Não divisou em mim o Sol
[sequer a Claridade Cega de Nerval].


Não pôde saber [porque não conseguiu]
do sonho-que-não-se-enxerga [e que era
meu]; do sonho-em-breu que ilumina todos
os outros: o de cada um e de cada qual.


Fugiu de mim, por não saber se
aproximar do Lugar que lhe pareceu
não-ser, nem existir.


Lugar tão denso em sua falta
que forjou sua fuga.


[O não-lugar
que a fez
fugir].












Marcelo Novaes