domingo, 28 de junho de 2009
A clave
A pedra que riscou teu olho,
te ensinou alguma coisa, ao
menos: a ver as outras pedras
recortadas, deformadas.
[Pedregulhos].
[Quisera recortá-las com teu
olho puro. Mas não: cisco
escuro].
Perdoai a pedra, como Cristo aos
homens. Escrevei como Victor Hugo.
[O mundo é miserável. É sombra e
arenito].
Perdoais as alegorias completas,
que transformam os vilões em mocinhos,
e os monstros em muito bons. [Os muito
bons, em monstros].
Captai a trajetória louca
da lasca de pedra [vinda
de outra boca], como ode
a ti recitada. [A vida só é
nobre na promessa: incubada.
Quem nasce, o faz às pressas].
Perdoai as ofensas dos versos
que mordem maxilares. Da caneta
que, de repente, se quebra [ou te
deixa sem tinta, no meio da frase].
Perdoai o onirismo demasiado do
poeta [ecos de algum Simbolismo?].
E da canção soada, a triste clave.
Marcelo Novaes
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18 comentários:
E desta vida se traz a unica certeza...ela se finda e dá espaço a transformação de laços!
Adorei, poeta!
Elaine Siderlí.
Obrigado pela visita, Elaine.
Ouviste bem a música?!
Beijos,
Marcelo.
Fica aqui a frase, Elaine querida:
Quem nasce o faz às pressas...
Beijão,
Marcelo.
"A vida só é nobre na promessa. Quem nasce o faz às pressas." Vida e perdão. O perdão verdadeiro, que não se esquece, porque sincero e profundo, é demorado, é o avesso do nascimento. Mas é o mais lindo sentimento!
Parabéns, Marcelo!
Lindo demais!
Abraços
Mirze
Mirze,
O perdão verdadeiro implica em saber pedi-lo. Vide os dois ladrões que ladearam Jesus na Cruz.
Beijos,
Marcelo.
Mirze,
E a falsificação do bem em mal (e vice-versa) tem a ver com "indistinção", que é uma fase pré-perdão (quem não distingue, está no pré- arrependimento, na melhor das hipóteses). Quem falseia deliberadamente, está distante do arrependimento: é merecido réu, ou cúmplice...
;)
Beijos, e obrigado por sempre estar aqui.
Marcelo.
Perdoai a pedra, como Cristo aos
homens. Escrevei como Victor Hugo.
[O mundo é miserável. É sombra e
arenito].
Ele não perdoou um dos ladrões...
Mas perdoemos as alegorias...
:)
Quanto a Victor Hugo, mostrou parte da imundície.
Marcelo.
Antes do tempo a clave...
Quem morre, não tem pressa, pra morrer o faz o mais lentamente possível por mtas vezes temer o outro nascer!
É sempre um presente te ler.
beijos meu querido.
Elaine Siderlí.
Elaine,
A clave define a música.
Obrigado pela presença e pelo comentário!
:)
Beijos, querida.
Marcelo.
Poema ensina a compaixão. A melhor forma de perdoar profundamente o inimigo é fazer um pedido ou oração de amor para ele, para que a luz refletida nele o ilumine com pleno discernimento.
Beijos amigo!
Enilda Dantas
Enilda,
Obrigado por sua amorosa leitura.
Beijos, querida.
Marcelo.
Caríssimo companheiro de "mexericos",
obrigada pela visita, é uma honra!
Aff, que poema...belíssimo, instigante, nem tenho como adjetivar!!!
e, vamos combinar, você sabe usar MUITO BEM as vírgulas e outros artefatos de nossa língua;)
bjos com ****
Olá, Marcelo!
Obrigada por entrar e postar em meu humilde blog...
Admito que teu comentário me deixou confusa...
Bem, qual outro nome poderia dar a esse sentimento que acho que é amor?!
De uns tempos pra cá tenho escrito poemas, tenho escrito coisas... Baseados somente em minhas opiniões, visões e experiências...
Esse teu blog aqui é lindo, incrível e a profundidade de teus poemas me abalou...
Tenha uma ótima semana!!!
Olá, Marcelo!
Obrigada por entrar e postar em meu humilde blog...
Admito que teu comentário me deixou confusa...
Bem, qual outro nome poderia dar a esse sentimento que acho que é amor?!
De uns tempos pra cá tenho escrito poemas, tenho escrito coisas... Baseados somente em minhas opiniões, visões e experiências...
Esse teu blog aqui é lindo, incrível e a profundidade de teus poemas me abalou...
Tenha uma ótima semana!!!
Mara,
É um prazer recebê-la por aqui, maxeriqueira!
:)
Gostei de visitar o seu espaço!
Beijos,
Marcelo.
Suzana,
Ótima semana pra vc, querida. O nome a gente acha procurando dá-lo da melhor maneira...
Beijos, e obrigado pela visita!
Marcelo.
desfeita em silêncio
hoje sou pedra
- não quero ir
tantas vezes somos nós mesmos as pedras...
beijo.
Nydia,
Seja bem vinda!
Beijos,
Marcelo.
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