A sirene atravessa teu plexo. Não a amorteça.
Não adormeça com esse ruído. Não se despeça
do grito, com éter ou álcool. Prove oitenta copos
de medo e indignação. Depois, escarre. Cuspa
para os lados. Mesmo não sendo Augusto dos
Anjos. Mesmo não sendo...
A noite da sirene, plexo adentro, veste pele
de lobo. Mas é loba. Ela atravessa a rua e
toda presunção de boa vizinhança. Avança
e uiva. Lanceta a bolha de pus, com a garra
mais precisa.
Depois de abrigá-la, sirene-sereia-loba-em-traje
-de-gala [depois de abrigar sua passagem, e
deixar atravessá-lo e romper-lhe a imagem...],
descubra como amansar tamanho vento ensan
-decido, barulhento, com quatro patas e pelo.
Sem copo de conhaque, ou vodka com gelo.
Dê um aceno às aves que voam pra mais longe.
Na tentativa de acompanhar-lhes o voo leve...
Marcelo Novaes

1 comentários:
Realmente, adormecer ao som de uma sirene, é impossível.
Ninguém merece. Acredito que nem um escarro, ou mesmo uma boa dose, aliviaria o incômoda que vibra nas ramificações nervosas de nosso cérebro. Só mesmo desviando a atenção.
Muito bom!!!
Parabéns, amigo!!
Beijos
Mirse
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