Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

A noite da sirene, plexo adentro







A sirene atravessa teu plexo. Não a amorteça.
Não adormeça com esse ruído. Não se despeça
do grito, com éter ou álcool. Prove oitenta copos
de medo e indignação. Depois, escarre. Cuspa
para os lados. Mesmo não sendo Augusto dos
Anjos. Mesmo não sendo...



A noite da sirene, plexo adentro, veste pele
de lobo. Mas é loba. Ela atravessa a rua e
toda presunção de boa vizinhança. Avança
e uiva. Lanceta a bolha de pus, com a garra
mais precisa.



Depois de abrigá-la, sirene-sereia-loba-em-traje
-de-gala [depois de abrigar sua passagem, e
deixar atravessá-lo e romper-lhe a imagem...],
descubra como amansar tamanho vento ensan
-decido, barulhento, com quatro patas e pelo.
Sem copo de conhaque, ou vodka com gelo.



Dê um aceno às aves que voam pra mais longe.
Na tentativa de acompanhar-lhes o voo leve...









Marcelo Novaes

1 comentários:

Mirse disse...

Realmente, adormecer ao som de uma sirene, é impossível.
Ninguém merece. Acredito que nem um escarro, ou mesmo uma boa dose, aliviaria o incômoda que vibra nas ramificações nervosas de nosso cérebro. Só mesmo desviando a atenção.

Muito bom!!!

Parabéns, amigo!!

Beijos

Mirse

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