domingo, 9 de agosto de 2009

Não me pergunte se o céu, hoje, é mais quente...



















Por que tantos se revelam naquele canto, e aqui
não, é a questão inóspita, que nos bate à porta. Ah!
Porque tantos se resvalam daquele piso inclinado até
o fundo do abismo, é tão simples. É tão claro. Magnífico!
Encontre um termo para definir isso, que faça sentido até
o mais ínfimo fio de cabelo. Encontre um termo bom e
justo, que não se distorça em frente ao espelho. E torça
para que aqui caiba. E torça para que caiba aqui.


A intimidade, é outra. Nessa lareira, há cinzas. Não
me pergunte de onde vem a força, ou se o céu, hoje,
é mais quente. O céu hoje é mais triste e transparente.
Mais do que o mais que existe. Altas intimidades...
Aqui, acharás falta disso. Acharás o risco, o tom
mais ríspido. Um desses que engole qualquer
sorriso.


Porque outros se revelaram em outro lugar [onde o
silêncio aduba a coragem dos que aqui se calaram],
é fato límpido e direto. Aqui, não há como seguir um
andar langoroso. Não há como distribuir beijos. Aqui,
o tom é abrupto. O lugar em que a luz se decompõe,
em prisma lúcido.



Não me pergunte de onde vem a força. Ou se o céu,
hoje, é mais quente. O céu, hoje, é mais triste e
transparente. Mais do que o mais que existe...








Marcelo Novaes

14 comentários:

Marcelo Novaes disse...

Por que tantos se revelam naquele canto, e aqui
não, é a questão inóspita, que nos bate à porta. Ah!
Porque tantos se resvalam daquele piso inclinado até
o fundo do abismo, é tão simples. É tão claro. Magnífico!
Encontre um termo para definir isso, que faça sentido até
o mais ínfimo fio de cabelo. Encontre um termo bom e
justo, que não se distorça em frente ao espelho. E torça
para que aqui caiba. E torça para que caiba aqui.

Marcelo Novaes disse...

A intimidade, é outra. Nessa lareira, há cinzas. Não
me pergunte de onde vem a força, ou se o céu, hoje,
é mais quente. O céu hoje é mais triste e transparente.
Mais do que o mais que existe. Altas intimidades...
Aqui, acharás falta disso. Acharás o risco, o tom
mais ríspido. Um desses que engole qualquer
sorriso.

Renata de Aragão Lopes disse...

Meu céu hoje
foi bem distinto.
Talvez, daí,
a minha dificuldade
de mergulhar
em sua proposta...

Voltarei.

Marcelo Novaes disse...

Perfeito, Renata.




Volte!





Beijos,e obrigado!






Marcelo.

Adriana Godoy disse...

Marcelo, que poema mais contundente e intenso. Bate fundo e não tenho resposta à sua questão.
tenho acompanhado o caso obscuro de seu blog e a "censura". Em que pé estão as coisas? Se possível dê uma chegada ao Blog "Escrevinhamentos" que j tem um artigo interessante sobre isso. É do jornalista Victor Barone, vale a pena. Beijos e parabéns pelos seus textos. http://escrevinhamentos.blogspot.com/

Marcelo Novaes disse...

Oi, Adriana!


Obrigado pelo comparecimento e força! Lerei, com prazer, o artigo do Victor Barone.




Obrigado, mais uma vez!








Beijos,








Marcelo.

Enilda Dantas disse...

Muito preciso o texto.
O silêncio só é bem-vindo nas transformações internas, nas externas são as ações que transformam, por isso não temos que calar, se queremos transformar.
Certamente o Céu está triste e transparente pela falta de coragem dos que silenciam optando pela alienação, alimentando o medo de contestar ou mesmo desinteresse pelas mudanças, achando desnecessárias.

Beijos amigo!


Enilda Dantas.

Marcelo Novaes disse...

Enilda,


"Silêncio" nas transformações externas é um eufemismo (e uma desculpa barata) para omissão e covardia moral. Nada menos. Parabéns pela lucidez em distinguir esses dois planos, cujas leis são inquivocamente outras.




Beijos, e obrigado!









Marcelo.

Adrianna Coelho disse...


"que faça sentido até o mais ínfimo fio de cabelo."

E quando se vê o sentido de todas as coisas, mais do que o mais que existe, não há perguntas a serem feitas - nós apenas podemos ver e sentir.

beijos

Marcelo Novaes disse...

Dri,


Que vejamos fundo. Sem "o desvio calculado do olhar".



;)




Beijos,








Marcelo.

Renata de Aragão Lopes disse...

De todos os seus textos que li,
julguei este
- nem sei o porquê, ao certo -
o mais complexo.

Li, recentemente,
que só existe alguma leitura
quando alguém fala sobre o que leu.
Achei esta ponderação fantástica,
apesar de meio óbvia
- é que eu adoro o óbvio! (risos)

Só posso concluir
que a complexidade, talvez, seja minha...

"Não me pergunte de onde vem a força."
"Porque outros se relevaram em outro lugar
(onde o silêncio aduba a coragem
dos que aqui se calaram)."
"O céu hoje é mais triste e transparente."

Há transparência
onde impera o medo?

Um abraço!

Marcelo Novaes disse...

Renata,


O lugar onde a luz se decompõe em prisma lúcido...



Há transparência justamente pela revelação de tantos contrastes. Onde as questões inóspitas batem à porta e não são alijadas. Impera a questão. Se ela silencia o beijo (distribuído em gratuidade para ocultar tudo isso...), então o medo imperava antes, no silêncio-omissão que "adubava" a (falsa) coragem, no sorriso que engoliria (evitando) riscos. Há mais transparência nisso do que nos protocolos, ou na protocolar cortesia que emoldura o silêncio diante de assuntos mais áridos, polêmicos, difíceis, complexos. Isso é mais complexo. E transparente, ainda que matizado...




Muito obrigado por ter voltado, Renata!








Beijos,









Marcelo.

Mirse Maria disse...

Uns se revelam, outros se resvalam sob um céu mais quente ou uma palavra mais abrupta.
Eis a questão de achar inóspito, o que é abrigo. O real, o ríspido, mesmo que doa, é a verdade abençoada. é a palavra bem-dita de um poeta de muitas estradas e longas idas.

Maravilhoso!

Como sempre!

Parabéns, Marcelo!

Beijos

Mirse

Marcelo Novaes disse...

Mirze,



Longas estradas.




Beijos,





Marcelo.

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