Sábado, 29 de Novembro de 2008

Não me pergunte se o céu, hoje, é mais quente...







Por que tantos se revelam naquele canto, e aqui
não, é a questão inóspita, que nos bate à porta. Ah!
Porque tantos se resvalam daquele piso inclinado até
o fundo do abismo, é tão simples. É tão claro. Magnífico!
Encontre um termo para definir isso, que faça sentido até
o mais ínfimo fio de cabelo. Encontre um termo bom e
justo, que não se distorça em frente ao espelho. E torça
para que aqui caiba. E torça para que caiba aqui.



A intimidade, é outra. Nessa lareira, há cinzas. Não
me pergunte de onde vem a força, ou se o céu, hoje,
é mais quente. O céu hoje é mais triste e transparente.
Mais do que o mais que existe. Altas intimidades...
Aqui, acharás falta disso. Acharás o risco, o tom
mais ríspido. Um desses que engole qualquer
sorriso.



Porque outros se revelaram em outro lugar [onde o
silêncio aduba a coragem dos que aqui se calaram],
é fato límpido e direto. Aqui, não há como seguir um
andar langoroso. Não há como distribuir beijos. Aqui,
o tom é abrupto. O lugar em que a luz se decompõe,
em prisma lúcido.



Não me pergunte de onde vem a força. Ou se o céu,
hoje, é mais quente. O céu, hoje, é mais triste e
transparente. Mais do que o mais que existe...






Marcelo Novaes

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