Eles e elas seguem gostando de ouvir
suas mentiras prediletas. No entanto,
pela manhã, já acordam com as mãos
trêmulas. E com olheiras. Mas gostam
de seguir as mesmas balelas.
As conversas não mudam. Só mudam as
faces. Amarelas. Seus fígados estão em
frangalhos. O chopp já não desce redondo.
Nem o “velho barreiro”, ou o conhaque do
almoço.
Eles e elas seguem dançando uma dança
de mortos. Só se enxerga amor num exame
de fundo de olho. E se tentarem falar de flores,
fica pior. Horroroso. Já não consultam mais
seus horóscopos matinais. O que se fala de
um, serve pra todos.
Há espaços vazios por entre os corações
quebrados. Há lugar para todos. Há infartos
do miocárdio e crises de fígado [e bile saindo
pelos poros] entre amigos próximos e conhecidos.
Há lugar pra todos irem tombando, uns sobre os outros.
O amor se achará, sim, num exame de fundo
de olho. O que era quente, se tornará morno.
Pelo cansaço, pelo cansaço, pelo cansaço... E
pelo vazio deixado por cada um que se vai,
sem tempo de deixar abraço.
Marcelo Novaes

1 comentários:
Há lugar para todos sim, mas todos querem estar no lugar do outro, do próximo próspero, ou com uma nesga de prodígio. Lembrei uma música(se é que se pode chamar assim) que meu neto gosta para horror e desencanto dos pais eruditos: "Trombar, beber, cair, levantar) é só isto a letra, e a música um horror. Mas faz sucesso agora na garotada de 6 a 10 anos.
Mas há lugar para isto também.
Beleza!
Abraços
Mirze
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