Quem atura minha veia saltada, meu verbo afiado,
o vidro que trago na boca?! Minhas confissões de
amor caem como meses contados, como cristais
cheios de arestas. E eu tenho cães latindo em
meus bolsos. Eu mesmo lato, de vez em
quando.
Falar de amor. Falar manso. A vida se
encarrega de cavar buracos nos verbos
e substantivos gastos pelo mau tempo e
mau uso. A vida se encarrega de corrigir
o amor dos tolos, fisgando-lhes os
calcanhares enquanto cochilam.
Obtusos.
“Acordem para a verdade dos
verbos bem-ditos”, ela grita
aos tolos, em seus ouvidos.
A vida não fala manso. Nem por acaso.
Nem nos lambe a língua. Nem nos delega
mando sobre outros sentimentos. Dos outros.
A vida nos persegue como cães latindo em
nossos bolsos. E também nos fala,
mastigando vidro.
Marcelo Novaes

4 comentários:
Lindíssima a construção do poema!!!
É, a vida não fala manso, mas às vezes quem tem o verbo afiado e boca como vidro, até late, mas não morde.
Parabéns, Marcelo!
Esta é para refletir.
Abraços
Mirze
putz!
fala mansa, fala de vidro.
a vida às vezes nos mastiga
outras vezes mastigamos a vida.
pode parar na língua como vidro
ou descer mais um pouco e enlaçar a garganta
e pode fluir, refrescar, alimentar
abastecer... deixar feliz.
muito bom!!
Mirze,
Obrigado pela tua reflexão, amiga.
Beijos,
Marcelo.
A vida não fala manso. Nem por acaso.
Nem nos lambe a língua. Nem nos delega
mando sobre outros sentimentos. Dos outros.
A vida nos persegue como cães latindo em
nossos bolsos. E também nos fala,
mastigando vidro.
É isso, Adrianna!
Beijos,
Marcelo.
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