Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

Fala mansa, fala de vidro






Quem atura minha veia saltada, meu verbo afiado,
o vidro que trago na boca?! Minhas confissões de
amor caem como meses contados, como cristais
cheios de arestas. E eu tenho cães latindo em
meus bolsos. Eu mesmo lato, de vez em
quando.



Falar de amor. Falar manso. A vida se
encarrega de cavar buracos nos verbos
e substantivos gastos pelo mau tempo e
mau uso. A vida se encarrega de corrigir
o amor dos tolos, fisgando-lhes os
calcanhares enquanto cochilam.
Obtusos.



“Acordem para a verdade dos
verbos bem-ditos”, ela grita
aos tolos, em seus ouvidos.



A vida não fala manso. Nem por acaso.
Nem nos lambe a língua. Nem nos delega
mando sobre outros sentimentos. Dos outros.
A vida nos persegue como cães latindo em
nossos bolsos. E também nos fala,
mastigando vidro.









Marcelo Novaes

4 comentários:

Mirse disse...

Lindíssima a construção do poema!!!
É, a vida não fala manso, mas às vezes quem tem o verbo afiado e boca como vidro, até late, mas não morde.

Parabéns, Marcelo!
Esta é para refletir.

Abraços

Mirze

adrianna coelho disse...


putz!

fala mansa, fala de vidro.
a vida às vezes nos mastiga
outras vezes mastigamos a vida.

pode parar na língua como vidro
ou descer mais um pouco e enlaçar a garganta

e pode fluir, refrescar, alimentar
abastecer... deixar feliz.

muito bom!!

Marcelo Novaes disse...

Mirze,


Obrigado pela tua reflexão, amiga.



Beijos,




Marcelo.

Marcelo Novaes disse...

A vida não fala manso. Nem por acaso.
Nem nos lambe a língua. Nem nos delega
mando sobre outros sentimentos. Dos outros.
A vida nos persegue como cães latindo em
nossos bolsos. E também nos fala,
mastigando vidro.



É isso, Adrianna!




Beijos,







Marcelo.

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