Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Dreno









Nenhum confisco de energia. Nenhum
arroubo. Nenhum rio alagando o porto.
Nem pororoca, nem Amazonas, tampouco.
Nem confisco. Nem Céfiso tomando a ninfa
à força. Liríope. Na história de Narciso.



Nenhum abuso consentido nessa minha
medida. Justa. Ainda que nada seja, nunca,
um mar de rosas. Nenhuma porta arrombada.
Nenhum dreno levando-me a linfa necessária,
Deixando-me o sangue espesso antes da hora.
Hora em que me despeço, por mim mesmo.
Hora de ir
embora.



Nenhum avanço abrupto, sem meu consentimento.
Nenhum abraço-de-urso. Ou quebra-ossos. Nenhum
prazer viscoso de tirar-me o viço, de frear-me o sadio
ímpeto, ou impelir-me ao vício. Muito menos ao vício
de amar-me em queda livre [com frio na barriga e sem
freio na espinha], rumo ao precipício.









Marcelo Novaes

1 comentários:

Mirse disse...

Triiiissssteeeeee, mas LINDA!
Parece uma canção de despedida. Quando se alcança a magia do nada e do nenhum, a mente está vitoriosa.

Muito bonito!

Parabéns, meu amigo.

Beijos

Mirze

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