Terça-feira, 4 de Novembro de 2008

Depois me conte o caminho que as águas têm seguido...






Esqueça aquela sugestão. Eu não estou
pronto ainda pra sair. O Anjo não teve
misericórdia de mim. Sim, ele é honesto.
E eu acato seu sagrado veto.



Não tenho documentos para andar por aí,
chamando por Elvis, tocando meu sax nas
esquinas. Eu não estou liberado, ainda, pelo
Anjo que me pôs de quarentena. Não posso
subir as escada rolantes. Nem beijar, apesar
de meus lábios estarem quentes. É sinal de
febre, não sinal-de-amar. Depois me conte
o caminho que as águas têm seguido pelas
guias das ruas... Eu ainda estarei recolhido.



Mas não me considere abandonado, nem em
esconderijo. Eu sou achado pelo simples aceno
do teu braço. Eu ouço sirenes afastadas. Meu
jeans já está roto. Rasgado. Eu sigo a linha da
água que me cai do rosto, quando me procuro
outro no mesmo espelho. E não me acho.







Marcelo Novaes

1 comentários:

Mirse disse...

Lindo, Marcelo! O poema como todo, e lancetado, parte à parte.
Mas o final:"quando me procuro outo, no mesmo espelho e não me acho", está acima do que chamam "poesia".

Parabéns, amigo

Beijos

Mirze

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